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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2017

Laços de Família

Peguei finalmente no meu segundo livro de Clarice Lispector (mais que isso, escrevi finalmente esta review).

Comprei este livro na Feira do Livro de 2016, naquela que se tornou a minha tradição: comprar um livro de Clarice Lispector todos os anos. Todos os anos tenho seleccionado um título para comprar, aproveitando as promoções da Relógio d'Água (este ano comprei A Hora da Estrela).
Laços de Família difere de A Paixão Segundo GH (o único outro livro que já tinha lido da autora) logo por se tratar de um livro de contos. Cada um destes treze contos gira em torno de um momento específico no quotidiano de cada personagem, um momento que traz consigo uma epifania, uma recordação, ou um exacerbar de um qualquer sentimento. Todos os personagens são fechados em si mesmos, não só no sentido da possível timidez, mas também no sentido em que são, de certa maneira, prisioneiros.
E cada uma das personagens centrais de cada história, maioritariamente mulheres, questiona a sua existência, a su…

O Livro de Cesário Verde

Já conhecia Cesário Verde do secundário, e decidi dar-lhe nova chance.

Não sei se já alguma vez o tinha manifestado, e possivelmente esta é uma declaração meio polémica, nomeadamente logo a seguir a polémicas relacionadas com o exame de português do 12º ano - mas não gostei de nenhuma das obras de leitura obrigatória no secundário. Li-as todas, é certo - mas não apreciei nenhuma. Excepto o Frei Luís de Sousa, de que ninguém gosta. Vi os dois filmes.
(o meu exame incidiu sobre Alberto Caeiro, já agora)
Regressei mais recentemente a Eça de Queirós (tendo lido os Contos, o Crime do Padre Amaro e A Relíquia), e até gostei. Estou então, lentamente, a tentar dar uma nova oportunidade aos outros autores, cerca de dez anos volvidos.
E é aqui que entra Cesário Verde. Lembro-me de ler Cesário no 11º ano, aquando do estudo do realismo, logo a seguir a ler Os Maias, e lembro-me apenas vagamente. Lembro-me que na altura estava investida na leitura de Great Expectations, do Dickens, que a minha pro…

O Alienista

Tenho andado a redescobrir Machado de Assis.


Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas,—únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.

Esta novella é sobre Simão Bacamarte, "o alienista", o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas, que se debruçara sobre o estudo da louc…

Mar me quer

"Mar me quer" é muito mais que um trocadilho.


Comprei este livro na Feira do Livro deste mesmo ano. Vi que seria um livro dirigido a um público um pouco mais infantil, com ilustrações, de Mia Couto, de quem só li Terra Sonâmbula - mas cuja escrita adorei.
Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.
Parece realmente um livro infantil, com ilustrações lindíssimas, mas acaba por ser a história de um homem e de uma mulher - de como um homem, Zeca Perpétuo, deseja uma mulher, Luarmina, sua vizinha, um pouco mais velha que ele, mulata, "gorda e engordurada", cuja foto de juventude deixava ver uma mulher elegante.
Luarmina, no entanto, quer o passado de Zeca, quer conhecer as suas memórias - mas Zeca quer viver no presente, alegando que o passado o maltratou.
Cada capítulo é introduzido com um dito do avô Celes…

Maratona Literária & Book Bingo

Como já escrevi antes, esta é a altura do ano em que costumo ler mais. Por isso, decidi participar em dois desafios de verão: a Maratona Literária de Verão 2017 e o Book Bingo - Leituras ao Sol.

Decidi participar não-oficialmente na Maratona Literária de Verão 2017, organizado pelos blogs Flames, da Mariana e da Roberta, e pelo Agora que sou crítica. Ou seja, vou simplesmente usar as categorias para escolher as minhas próximas leituras (não me consegui inscrever no formulário). Este desafio decorre de 18 de Junho (hoje!) a 22 de Setembro.
As categorias são:
1) Ler um livro noutra língua (inglês, francês, espanhol, italiano, etc.) Este para mim é simples, dado serem relativamente poucas as vezes que leio em português. Para dificultar um pouco, penso que lerei Thérèse Raquin, de Émile Zola.
2) Ler um livro de um autor português O que traz a noite, de Alexandre Costa, livro que, conforme expliquei no post anterior, quero ler o mais rapidamente possível.
3) Ler um livro que compraste há m…

Feira do Livro - o rescaldo

Aqui ficam as últimas compras da Feira do Livro (e, segundo planeio, as últimas compras do próximo ano).

14 de Junho: Fui esta noite com uma lista estrita e decidi que, na Bertrand/Porto Editora, compraria apenas edições que entrassem em Hora H.
Tendo chegado cedo, fiz um pequeno desvio e comecei por comprar O que traz a noite, de Alexandre Costa, na banca onde estava representada a Capital Books, livro que me arrependo de não ter comprado no ano passado, quando foi lançado. O senhor que estava na banca entregou-me o livro num saco, dizendo, "vai aqui num saco do Daniel Silva, mas se calhar não tem nada a ver". Vergonha minha, porque se nunca li Daniel Silva e isso não me apoquenta, o pior é que nunca li Alexandre Costa. E eu conheço o Alexandre. Nunca estive com ele muitas vezes, mas ele apareceu no Largo Camões para me dar os parabéns quando eu fiz anos, em 2012. E conheço o Ricardo, que fez a capa do livro, e não vejo o Ricky há possivelmente cinco anos também. Uma vez al…

Prozac Nation

Mental illness is so much more complicated than any pill that any mortal could invent.

Prozac Nation é a memória de Elizabeth Wurtzel, jornalista norte-americana. Ao contrário do que o título possa indicar, não é um livro sobre Prozac, mas sim sobre a vida da autora - um pouco como Girl, Interrupted.
Tenho alguma dificuldade em escrever sobre este livro, porque não sei ao certo o que acho dele. Não sei se respeite ou odeie a autora - ela tem um ego gigante, vive na sua própria cabeça, admoesta-se ao longo de toda a obra. Elizabeth Wurtzel descreve-se constantemente como full of promise, queixa-se de os pais a enviarem para o summer camp nas férias para ser normal como os outros, diz que o seu desespero é superior ao de todas as outras pessoas. Aos 25 anos, quando escreveu o livro, Elizabeth parecia achar que era incrivelmente especial, tinha todos os problemas do mundo, e tinha respostas para tudo.
Mas, ao mesmo tempo - quem nunca?

Porque a verdade é que Elizabeth Wurtzel é honesta. Cl…

Nunca direi quem sou

Retomando o ritmo das reviews atrasadas com um conjunto de escritos de um autor português.

Nunca direi quem sou é um conjunto de pequenos textos ficcionados sobre pessoas reais, como Jorge Luís Borges, Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira ou Clarice Lispector, dando um lado profundamente pessoal a autores dos quais por vezes pouco mais sabemos para além da sua obra: citando a página da editora, Quem poderá saber quem foram, se nem os próprios o disseram?
Vergílio Alberto Vieira propõe-se, assim, a fugir de si mesmo, a entrar na pele e falar ficcionalmente por estes autores, dando-se a conhecer enquanto dá também a conhecer estas pessoas, quem são para além da sua obra.
Fiquei com uma enorme vontade de pegar n'A Aparição, que nunca li, ou no Ficciones; de investigar mais personagens como Sapho ou Epitecto, de finalmente comprar um livro do Mário Cesariny ou do Herberto Helder (Feira do Livro, estou a olhar para ti).
Às quartas, a preia-mar devolve à ilha os que a peregrinação levara f…

Voltei à Feira do Livro

Em minha defesa, voltei à Feira porque a minha mãe tinha-me pedido que lhe comprasse um livro específico.

Começo por dizer que não encontrei o livro que a minha mãe queria: estaria supostamente na tenda dos pequenos editores, que achei giríssima e cujo espaço tive de debater com um cão que abanava a cauda, mas o livro não estava lá.
Depois do insucesso, dei uma voltinha rápida tipo missão de reconhecimento no canto que me ficou por ver na ida anterior: o "canto inferior esquerdo", que é como quem diz a parte da Porto Editora/Bertrand, Babel, FNAC, etc, à qual ainda quero voltar em espírito de Hora H, e de despedida de aquisição de livros durante quiçá um ano (até à próxima Feira - gosto de me abrir a excepção de "comprar livros em viagem", mas assim de repente só tenho uma viagem marcada, e alguém conhece autores holandeses que me recomende?).
Na Babel, rondei um livro que queria especificamente comprar: o Armários Vazios, da Maria Judite de Carvalho, autora sobre…

The Street of Crocodiles - peça

Depois de ler The History of Love fiquei com uma enorme vontade de ler a obra de Bruno Schulz,  The Street of Crocodiles, frequentemente mencionada no livro.

Tal como The History of Love, tinha comprado a obra no Awesome Books e tinha o livro ali na pilha. Problema: tratava-se não da obra em si, um conjunto de contos, mas da peça baseada na obra e vida do autor.
Mas é claro que isto não me demoveu, e continuei a ler o livro que tinha em mãos.
The Street of Crocodiles, peça da autoria do Theatre de Complicite, é uma miríade de imagens fantásticas, poéticas, bizarras e por vezes sensuais, que inclui livros a voar e pessoas a transformar-se em pássaros, em cenários domésticos, com a sempre presente ideia da chegada dos Nazis que irão terminar a vida do autor.
A primeira cena da peça é particularmente marcante: mãos e pés desligados do resto dos corpos, lembrando as vítimas do Holocausto, enquanto a figura de Schulz, aqui chamada de Joseph, deita livros para um forno, evocando o terror e …

The History of Love

Peguei neste livro por sugestão da Rita, cujo blog adoro, e que por sua vez adorou o livro.

Nicole Krauss, a autora de The History of Love, foi casada com Jonathan Safran Foer, cujas obras Everything is Illuminated e Incredibly Loud and Extremely Close li há já uns anos e das quais gostei muito. Esta obra é estilisticamente, e em termos de temas, bastante semelhante às do seu ex-marido, tendo portanto tudo para eu também gostar.
Once upon a time there was a boy who loved a girl, and her laughter was a question he wanted to spend his whole life answering.
Este é um livro sobre solidão, sobre esperança e sobre perda - diria mais que sobre perda do que sobre amor. Há o amor por um amor perdido, por uma mãe, por um filho, por um pai - mas todo este amor vem acompanhado de perdas. 
Várias personagens encontram-se devido a um livro chamado The History of Love, editado apenas em espanhol, com uma história misteriosa em torno da sua publicação e do seu autor, Zvi Litvinoff, um refugiado polac…

Feira do Livro - Hora H

Fiz ontem a minha primeira deslocação à Feira do Livro, com o objectivo de aproveitar a Hora H, tradição que cumpro há dois anos.

Saí do 738 no Marquês ainda antes das 21h30 e fiz a primeira paragem na banca da E-Primatur, onde queria comprar o livro do dia: Casos de Direito Galático e outros textos esquecidos, de Mário-Henrique Leiria, escritor surrealista português que nunca li, com uma capa bastante curiosa. Tive uma simpática conversa com o responsável da banca, que me agradeceu estar a pagar em multibanco, em como temo vir a ter o fim da família Clutter (quem leu o A Sangue Frio/In Cold Blood do Truman Capote poderá perceber), e recebi um saco de pano, um catálogo da editora e todo um conjunto de marcadores.
Subi para a LeYa, onde me encontrei com o meu companheiro e fizemos, como sempre, as compras centrais (como em, mais numerosas) da Feira: o aproveitar da Hora H. Comprei Tereza Batista Cansada da Guerra e Farda Fardão Camisola de Dormir, de Jorge Amado. Fiquei triste de ver …

power to the chairman

Aproveitei os Momentos Wook da semana passada. 

Mais uma vez, super feliz com as promoções da Wook. às quais tenho resistido muitas vezes: os três livros acima ficaram pouco mais de 5€, todos. Sim: todos. O da Maria Isabel Barreno ficou a 0,80€! Mais me agrada ainda terem chegado dois dias depois ao ponto pick-up que eu tinha pedido (eu é que fui preguiçosa e só os fui buscar hoje).
O da Lídia Jorge comprei por estar barato, é certo - mas também por já ter lido um único livro da autora (podem ver aqui a review) e ter ficado muito curiosa com a sua restante obra. A Maria Isabel Barreno desperta-me curiosidade por ter sido uma das autoras d'As Novas Cartas Portuguesas, e já tinha visto também recomendada no Diário de Leituras. A Fina d'Armada conheço por uma grande amiga minha, com interesses que vão de encontro aos meus, ter descoberto há uns anos e já ter lido (e eu não, a lacuna!).
Três autoras portuguesas - estou satisfeita com esta compra.
Agora, pronta para a primeira ron…