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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2017

Big Fish

Sou sempre a favor de ler livros que inspiraram filmes do Tim Burton.

Big Fish é uma história complexa e mágica sobre família e sobre não se conhecer realmente um pai sem ser através de histórias fantásticas e possivelmente não reais. No fundo, aquilo que o Peculiar Childrenprovavelmente queria ter sido (ironicamente, num livro também filmado por Tim Burton).
Tal como no filme, Edward Bloom está a morrer, e o seu filho William quer saber quem o pai realmente era, para além das histórias mágicas que este conta sobre a sua infância; William está determinado a acreditar que o seu pai é apenas um mentiroso exagerado, e vai construindo a imagem de quem Edward realmente foi, enquanto pessoa e enquanto pai - mas as semelhanças com o filme ficam bastante por aqui. E em termos de história e narrativa, o livro é definitivamente melhor.
"I wanted to be a great man… Can you believe it? I thought it was my destiny. A big fish in a big pond."
Edward foi, toda a sua vida, contador de histór…

Academy Awards

Confesso que não tenho grande ligação com os Oscars, e não tenho a maior ligação com cinema em geral.

Este ano, apenas três dos nomeados para Melhor Filme são baseados em livros (e confesso que não vi nenhum). Aqui ficam, no entanto, alguns antigos vencedores de anos anteriores: aqueles que já li ou que tenho na estante por ler.
1930: All Quiet on the Western Front Já vi o filme, e posso tirar este livro da estante do meu namorado: um livro de um veterano alemão da I Guerra Mundial, no qual retrata esta mesma Guerra, os horrores físicos e mentais vividos pelos soldados, e a sensação de não-pertença ao regressar da guerra.
1939: Gone With the Wind Livro e filme ambos de proporções larger than life, tanto por terem 900 páginas/cerca de quatro horas, como por retratarem tantas dificuldades e resiliência juntas numa época de mudança. Ambos investimentos enormes de tempo, é certo, mas ambos com retribuição garantida: é impossível ficar indiferente a Scarlett O'Hara. Note-se que Hattie …

#marçofeminino

Para Março, vou seguir a maravilhosa ideia da Sandra e ler apenas mulheres*.

Quem me conhece (ou leu o meu post de há um ano atrás) sabe que para mim este não é exactamente um desafio, mas algo que me irá dar um enorme prazer e gosto - e, mais que isso, algo que me irá de certa forma ajudar a focar na leitura de autoras femininas.
Algumas sugestões de obras e autoras que já li:
The Handmaid's Tale, de Margaret Atwood. Uma distopia, cujas vendas andam, não surpreendentemente, a subir nos últimos tempos: tanto pelo contexto político vivido actualmente nos Estados Unidos, como pela produção da série que estreará em breve.
Tudo da Sylvia Plath. Os diários são um projecto ambicioso, mas uma das minhas leituras favoritas; Ariel é um óptimo livro de poesia sobre coisas tão importantes como doença mental ou o estado de ser mulher.
Angela Carter. Ou os contos de fadas reinventados e feministas de The Bloody Chamber ou The Magic Toyshop, igualmente mágico.
A autobiografia obrigatória de Ma…

The Kreutzer Sonata

Relendo obras numa leitura conjunta com o meu amor, que encaixa também perfeitamente com o #russialit.


O meu primeiro Tolstoy foi o War and Peace, que li no ano em que escrevi uma tese sobre um estudo de caso da Rússia. Foi um ano de Tolstoy, Bulgakov, Nabokov e Pushkin, porque claramente não me fico por projectos pequenos.

The Kreutzer Sonata não é uma telenovela recheada de bailes e trocas de noivos - mas talvez seja engraçado comparar a futilidade amorosa de Natasha com esta obra. Aqui acima de tudo temos o lado moralista de Tolstoy: o discurso furioso de um homem que expressa visões assustadoras sobre o amor, o casamento, a sexualidade.

Uma longa viagem de comboio, um grupo de estranhos na mesma carruagem. Começa uma conversa sobre o amor; alguns dos passageiros saem; e ficam apenas Pozdnyshev, um homem de alguma idade que demonstrara ter visões cépticas e agressivas acerca da existência do amor e da funcionalidade do casamento, e o narrador.

Let us stop believing that carnal love …

Of Human Bondage

“I want to have experiences. I’m so tired of preparing for life: I want to live it now.”

Finalmente, o livro preferido de uma das minhas amigas do trabalho, aclamado por muitos outros colegas.
Em The Human Bondage, um colosso de livro em vários sentidos, seguimos Philip Carey desde a sua infância, quando, órfão já de pai, é colocado na cama com a sua mãe moribunda, que o abraça e acaricia o seu pé deformado. Pouco depois, com a morte da mãe, Philip vai viver com os tios, muito mais velhos e sem filhos: o tio William, pároco, frio, austero e que não sabe lidar com crianças, e a tia Louisa, devota ao seu marido e à função deste na sociedade, que sempre tinha querido ser mãe mas não sabia como tratar Philip. Na verdade, a existência dos tios de Philip é retratada de forma incrivelmente triste, e é ao observá-los que Philip compreende que quer algo mais para si, não quer desperdiçar assim a sua vida, mas ter aventuras em vez de esperar simplesmente pela morte.

Na sua infância solitária, P…

Madrid

Há melhores recuerdos que livros?


E há melhor maneira de aprender e reforçar conhecimentos de línguas que a ler?

Comprado (e regateado) na feira de livros usados da Calle Cuesta de Moyano, a Historia de una gaviota y del gato que le enseño a volar. Li-o há mais de dez anos, emprestado da biblioteca da escola (há bem mais de dez anos, agora que faço as contas relativamente ao ano em que efectivamente saí da escola...). Lembro-me de ter falado sobre o livro com uma colega do meu antigo trabalho durante um pequeno almoço, e desde aí que me estava em nova wishlist.

Na Casa del Libro da Gran Vía, com maravilhosas estantes que deslizam para revelar mais estantes por trás (o que se torna um pouco frustrante quando - e era o caso - se quer ver precisamente as estantes por trás, os livros de bolso de autores espanhóis e sul-americanos, e se tem de estar a puxar estantes e mais estantes), vieram El Túnel e Pedro Páramo, ambos livros de teor mais "sombrio", o último dos quais terá ins…