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Mensagens

A mostrar mensagens de 2017

preenchendo a estante

Alguns livros que recebi antes de vir para Paris (este blog anda com um atraso horroroso, pior do que o atraso crónico habitual, e peço desculpa).

Gostava de arranjar um nome mais "coeso" para este tipo de posts. Sugestões?
Da Bertrand, veio A Economia Mais Forte do Mundo, de Joseph Stiglitz. Para quem não sabe, tenho um mestrado na área de economia (mais especificamente, economia do desenvolvimento), e Stiglitz é um nome incontornável, com o qual já estava familiarizada (e de quem realmente gosto, ao contrário do Jeffrey Sachs). Este livro fala na desigualdade económica que se vive nos Estados Unidos, e de como esta é incontornável e gravíssima - e de como é, na verdade, uma escolha. Já peguei nele e está, até agora, a ser muito interessante.
De Raul Brandão (autor de quem o meu amor não gostou particularmente), El-Rei Junot, que tem uma daquelas capas maravilhosas da Guerra e Paz. Fiquei com curiosidade relativamente a este livro por dois motivos: primeiro, o facto de ser…

Galeries Lafayette

Porque as Galeries Lafayette não são só para quem quer comprar uns trapos.

O edifício principal das Galeries Lafayette na Blvd Haussmann é icónico: não sendo esplendoroso ou digno de grande destaque por fora (nesse aspecto, ganha o Printemps, quase ao lado, ou mesmo o Bazar de l'Hôtel de Ville, que pertence ao grupo Lafayette), o seu interior transporta-nos para outro mundo. Antes de mais, a cúpula, é claro; mas os elevadores lembraram-me do filme do Titanic, e as escadarias remontam totalmente ao início do séc. XX.

Sendo maioritariamente dedicado a roupa feminina, este edifício tem, no 6º piso, uma livraria. Destaco também que este piso serve como um miradouro grátis com bonitas vistas sobre a cidade. A livraria tem um aspecto muito clean, mas tem um pouco de tudo: desde livros de belas-artes, moda e guias turísticos, a uma vasta selecção de clássicos, ensaios, ficção contemporânea, romances e bandas desenhadas. Dá, portanto, para encontrar de tudo.

Encontrei também aqui um conc…

Librairie la Belle Lurette

Passei por esta pequena livraria em passeio, entre o Hôtel de Sully e a Place de La Bastille.

O que me chamou a atenção, além da sua fachada azul clara, foi o facto de, à porta, na Rue Saint-Antoine, ter uma pequena banquinha com livros de bolso com pequenos comentários e recomendações agarrados. Uma livraria assim tem imediatamente um toque pessoal - um charme muito maior do que uma FNAC, ou que uma qualquer cadeia. É um toque pensado, humano, de quem realmente aprecia livros e quer mostrar ao leitor aquilo que destacou numa leitura em particular.

Por dentro, a sensação de livraria independente mantinha-se: fui recebida com um simpático bonjour, e os outros clientes tinham atendimento personalizado; as várias secções estavam divididas por etiquetas de papel coladas nas estantes de madeira; a secção de livros em inglês era pequena; e os post-its de opinião abundavam.
Se não comprei um livro, foi porque tinha acabado de comprar um outro na Maison Victor Hugo - e porque a selecção de A…

A Casa do Futuro

Como será a casa do futuro?


A Casa do Futuro, da autoria de Margarida Louro e Camila Martinho, ambas arquitectas, explora o papel dos arquitectos na sociedade actual, abordando o tema da arquitetura sustentável. A personagem principal é Francisca, uma jovem arquitecta que é contactada por e-mail por uma família que procura a casa do futuro.
Francisca depara-se com um dilema: o que é a casa do futuro? E vai perguntar a Serafim, um arquitecto mais velho, seu mentor, que gosta muito de fazer bolachas.

 - Olha, Francisca, todas as casas que projetamos são casas do futuro. As casas resistem ao passar dos tempos, dos anos... e muitas vezes são passado, porque já existiam antes de nós; presente, porque nos servem no dia a dia; e futuro, porque geralmente duram mais do que nós...
Mas não é bem isto que Francisca procura. Francisca pensa que o futuro será algo mais do que a integridade dos edifícios. E também aqui Serafim compreende e tenta ajudar:
 - Uma casa do futuro devia ser assim, como o…

Maison de Victor Hugo

Estando já instalada em Paris, dediquei-me a uma actividade bastante literária: a visita à casa de Victor Hugo.

O autor, é claro, dispensa apresentações: escreveu, entre outras obras, Les Misérables (que só li em versão reduzida, querendo ler o original em francês) e Notre Dame de Paris, que li há dois anos em jeito de celebração da última vez que vim a Paris.

Existem dois museus Maison de Victor Hugo: um em Paris, o outro em Guernsey. A casa de Paris situa-se no nº 6 da Place des Vosges (assim denominada desde 1800, antiga Place Royale), em pleno bairro do Marais, e é onde Victor Hugo viveu de 1832 a 1848. Já queria ter visitado este jardim antes, mas nunca se tinha dado. A Place Royale foi inaugurada em 1612, para celebrar o noivado de Louis XIII e Anne de Áustria, sendo a mais antiga praça da cidade, e contou ao longo dos séculos com vários habitantes ilustres, entre os quais Richelieu (preparem-se para outros posts sobre ele nos próximos dias) e, lá está, Victor Hugo.

A Casa-Mus…

História Militar de Portugal

Incontornável para quem, como eu, estudou Relações Internacionais (na FCSH, ainda por cima).

Apesar de nunca ter tido aulas com Nuno Severiano Teixeira, já tinha lido uma das suas obras (a sobre o Ultimatum, que, se não estou em erro, se trata do seu trabalho final de licenciatura). Este livro conta com mais dois autores: Francisco Contente Domingues e João Gouveia Monteiro, dos quais nunca tinha lido nada. Tendo recentemente voltado a estudar, senti que este livro seria uma excelente aposta.
Não estava enganada.
Este livro começa em 1066, antes da fundação de Portugal, cobrindo os vários acontecimentos até aos dias de hoje. Guerras de território, de expansão colonial, de defesa territorial, o impacto das intervenções militares na política interna, e as missões de paz. É um livro acessível que mostra um lado da história que não é comummente apresentado em Portugal - e esse é já um motivo excelente para o ler.
E ao lado da História Militar, com detalhes sobre a evolução das forças arm…

Milarepa

A vida em Montmartre e o sonho que remonta ao Tibete.

Tudo começou por um sonho.
Começa assim esta curta obra, na qual o protagonista, Simon, se transforma de noite, no alto de montanhas e rochedos e da cor vermelha, num outro homem, com sede de vingança. Nos seus sonhos, Simon é outra pessoa. E Simon não sabe o motivo pelo qual o mesmo sonho lhe surge todas as noites, há anos, até o encontro misterioso com uma mulher, num café, que lhe diz:
 - Tu és o Svastika - disse. - Tu és o tio. Tu és o homem por que tudo acontece, a pedra na qual se tropeça no início do caminho.
Milarepa é um livro que fala no budismo tibetano - como Simon vem a descobrir, após o seu misterioso encontro, Svastika é o tio de Milarepa, o tio que tudo tirou daquele que viria a ser uma grande figura, "o grande iogue do Tibete", como diz a contracapa. E Simon fora, um dia, Svastika, e sonha todas as noites o mesmo sonho porque não consegue libertar o ódio da sua alma.
Na narrativa, Simon confunde-se com Svas…