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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro, 2016

Under Milk Wood

A Play for Voices.



Esta é uma obra bastante singular, não sendo nem uma peça nem um poema, mas uma obra escrita como peça de rádio para a BBC. Small town Gales - e se small town America sempre funcionou para mim, um dia na vida da sonolenta cidade de Llareggub, Gales, não ficou atrás.
Gales sempre me fascinou. Desde os dragões, ao sotaque, aos castelos, ao Very Annie Mary que continua a ser dos meus filmes preferidos, à língua incrivelmente bizarra - aos 15 anos gostava de dizer a palavra Cymru repetidamente e não vou deixar que me digam que isso é estranho. Pode ser o patinho feio da Grã-Bretanha, mas fascina-me mais que a Escócia e não tenho vergonha de o dizer.
Portanto acordamos numa pequena cidade galesa onde, à boa maneira das cidades pequenas, todos têm um segredo, todos têm fantasmas e esqueletos no armário (ao menos não têm esposas no sótão), a escrita é simples, as palavras fluem maravilhosamente - quase sem uma pausa para pensar ou respirar, porque esta é uma peça para voze…

The Melancholy Death of Oyster Boy and Other Stories

Eu, fã do Tim Burton, me confesso.

Li este pequeno livro numa viagem de comboio a caminho do trabalho. Não tenho palavras.
Esta é uma colecção de histórias/poemas ilustrados, em que Tim Burton mostra algumas das suas ideias e personagens. Enquanto que algumas histórias (como a do Oyster Boy) se prolongam por algumas páginas, outras têm poucas linhas e uma ilustração para nos fazer pensar. Todas elas são histórias tristes, sobre a tristeza e solidão e o ser incompreendido e estar isolado, de tantas, de várias maneiras - na verdade, é este o trabalho de Tim Burton, em geral.
Porque as histórias de Tim Burton foram sempre sobre todos nós que estamos sozinhos, os Edward Scissorhands, a Sally.

Todos os que são de uma maneira ou de outra rejeitados pelo mundo, as noivas assassinadas quando vão fugir com os amados, os monstros, a necessidade de encontrar uma realidade separada da dos outros, de encontrar uma cura para estar vivo e viver neste mundo. Portanto também este livro é estranho, é …

Novelas do Minho

Enveredando pela colecção do Expresso com as capas bonitas.

Novelas do Minho é, originalmente, um conjunto de oito novelas; esta edição, porém, tem apenas duas: O degredado e Maria Moisés. É na segunda que me irei focar.

Josefa da Lage, filha de um lavrador, é encontrada a morrer beira-rio, num aparente suicídio que ninguém percebe (mas que alguns desconfiam). Filha de pais extremamente conservadores, julgava-se que ela estava doente havia meses, fechada em casa por doença misteriosa. Na verdade, tinha um caso com António, fidalgo, que planeia casar com ela mas é contrariado pelo pai.
 - Assim que meu pai morrer - disse ele à filha do lavrador - caso contigo. Vou sentar praça, quer meu pai queira quer não. Sou o morgado, porque meu irmão mais velho morreu.
Ela, para ser feliz até às lágrimas, não precisava destas esperanças. Preferia tê-lo e amá-lo nas matas chilreadas, nos desfiladeiros dos montes, no sinceiral da Ínsua, nas alcovas de ramagem que só eles e os rouxinóis conheciam nas m…

O amante do vulcão

Não sabia ao certo o que me esperava quando comecei este livro. Tinha curiosidade intelectual relativamente à autora, e pouco mais.

Começamos por ler a melancólica história de um diplomata a viver em Nápoles com a sua esposa doente, Catherine, com quem nunca teve filhos. A corte napolitana é demasiado para Catherine; o casamento fora por conveniência, dinheiro, mas dão-se bem. O diplomata é sempre referido como "Cavaliere", não lhe sendo atribuído um nome próprio. O Cavaliere é um coleccionador, com uma vasta colecção de vasos romanos e pinturas, e ao longo da narrativa Sontag explora o significado e as implicações da arte de coleccionar. A certa altura, o Cavaliere fica fascinado pelo Vesúvio, sobre o qual a sua residência tem vista privilegiada, escalando frequentemente o monte e recolhendo objectos vulcânicos, tornando-se especialista em vulcanologia.
É este portanto quem dá o título ao livro. É um homem muito pouco interessante, cuja vida é entreter o rei napolitano, be…

American Psycho

A escolha mais macabra possível para um book club de uma instituição financeira.

Há uns anos li o Less than Zero e gostei muito de toda a atmosfera pessimista e desoladora do livro. Há também muitos anos que queria ler este (sem nunca ter visto o filme, para não variar).
Uma das admissões mais chocantes a fazer acerca deste livro é que sinto que o teria apreciado muito mais - como em, gostado muito mais da leitura - se tivesse 16 anos. Nessa altura, lia Chuck Palahniuk e achava piada a toda essa cultura alternativa de cult classics. Ainda acho - mas American Psycho caiu-me mal.
Patrick Bateman tem, como eu, 26 anos e, como eu, trabalha numa instituição financeira (sintam o porquê de eu achar uma escolha macabra para um book club laboral). É o narrador e personagem principal deste livro, e a narrativa passa por tópicos extremamente repetitivos: no início, descrições extensas e patéticas da roupa cara e de designer que toda a gente do seu círculo tem vestida, os restaurantes a que vão,…

Camilo

Entre a colecção do Expresso (entretanto terminada) e um achado cá por casa, tenho uns quantos livros do Camilo Castelo Branco por ler.

A saber: A queda de um anjoEusébio MacárioA brasileira de PrazinsNovelas do Minho (edição que inclui Maria Moisés e O degredado)O que fazem mulheresO retrato de RicardinaVinte horas de liteira
Já alguém se debruçou sobre algum destes? Se sim, por onde recomendam começar? Ando com uma vontade enorme de voltar ao Camilo.

Gone with the Wind

For I do love you, Scarlett, because we are so much alike, renegades, both of us, dear, and selfish rascals.

Este livro é grandioso e, com isto, não me refiro só ao tamanho. É uma montanha russa emocional e destruidora. Para quem gosta de ser despedaçado por um livro - recomendo.
Creio que a história será minimamente conhecida, mas posso estar errada dado o facto que, desta vez, eu vi o filme.
Scarlett O’Hara was not beautiful, but men seldom realized it when caught by her charm as the Tarleton twins were.
É assim que, na primeira frase, nos é apresentada Scarlett O'Hara, protagonista da obra, menina mimada de origem irlandesa, herdeira de uma enorme plantação na Georgia, Tara. Antes da guerra civil norte-americana, Scarlett era uma rapariga de 16 anos, nova, sem preocupações, que nunca tivera de mexer um dedo (apenas pestanejar e usar os seus encantos para conseguir o que queria de homens vários), sem nunca ter pensado duas vezes no sistema esclavagista, e evitando abrir um livro …