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A mostrar mensagens de Junho, 2015

A Rapariga que Roubava Livros

Quem me conhece sabe que não gosto de ler traduções (algo que já aqui manifestei anteriormente). Porém, às vezes há livros cá por casa e não me apetece gastar mais dinheiro, pelo que vou reservando umas alturas para ler esses. E há línguas que nunca irei aprender.


(Mais que traduções, odeio capas retiradas dos filmes, mas adiante)

Mal acabei o livro, tive sentimentos ambíguos quanto ao mesmo. Houve muita coisa de que gostei muito, mas houve muita coisa que me pareceu um cliché enorme.

Esta é a história de Liesel Meminger, adoptada por uma família em 1939, na Alemanha Nazi. No início, era suposto ela ser adoptada juntamente com o seu irmão mais novo, para serem salvos do destino dos seus pais (não judeus, mas comunistas), mas este morreu durante a viagem de comboio que os levaria aos pais adoptivos.

A morte é, aliás, a personagem mais presente em toda a história, como seria de esperar num livro acerca da II Guerra Mundial - mas mais que isso, é quem a narra, algo decerto pouco usual.

O Operário em Construção

Após uma semana intensa de traduções, gripe, exame de sueco e outros eventos que tais que me impediram de me dedicar a um livro, regresso ao blog com um autor cujo nome eu conhecia associado à música - mas cuja obra musical desconheço.

Vinicius de Moraes é um nome incontornável do Brasil, mesmo para quem, como eu, vergonhosamente só o conhecia de nome.
Este é um livro de poesia, que é uma forma de escrita que, já admiti antes, compreendo mal e pouco, e conheço pouco também, o que me deixa pouco à vontade para comentar. Deixo-vos, portanto, com excertos vários de poemas vários deste livro, cuja variedade de temas e formas me surpreendeu muito.

(...)

Me pedes para te levar a comer uma salada
Mas de súbito me vem uma consciência estranha
Vejo-te como uma cabra pastando sobre mim
E odeio-te de ruminares assim a minha carne.

Então fico possesso, dou-te um murro na cara
Destruo-te a carótida a violentas dentadas
Ordenho-te até o sangue escorrer entre meu dedos
E te possuo assim, morta e desfigurada…

Coisas bonitas da vida

Posso ter tido dois dos piores dias da minha vida, com eventos desde acordar a vomitar expectoração, a continuar frustradamente à procura de casa, a magoar pessoas mais que importantes, a ter catéteres no braço que me impedem de estudar sueco, a ter acidentes de carro causados por velhos cujas cartas deviam ser cassadas - mas há que reconhecer que a vida continua a ter coisas positivas.

Tipo ter um emprego que, por mais horrivelmente frustrante que seja, tem uma parceria com a Leya e me conseguiu arranjar um livro esgotadíssimo em todo o lado.

The Magic Toyshop

I think I want to be in love with you but I don't know how.

E aqui está o livro que redimiu a Angela Carter para mim após o The Passion of New Eve. Parece uma história simples: Melanie tem 15 anos e uma vida feliz, rica, com os seus pais felizes, que a adoram e aos seus irmãos e vivem todos numa bonita casa no campo.

Melanie apercebe-se de que já não é uma criança. Durante este verão, na ausência dos pais que viajaram, passa os dias a olhar para si e para o seu corpo sem roupa, sonhando com o homem perfeito, e sente-se atraída pela ideia do vestido de noiva da sua mãe, uma quantidade abismal de cetim e rendas brancas. Uma noite, veste-o, sai de casa, e dá por si trancada fora de casa. Acidentalmente, destrói o vestido, e tem de subir por uma árvore para poder voltar a entrar. Ao entrar, procura o conforto do seu urso de peluche para poder adormecer.
E na manhã seguinte, quando acorda, descobre que os seus pais morreram num acidente, e que vai viver para Londres com um tio do qual …

As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia

(Esta review vai passar à frente de outra que foi sendo adiada por dias de trabalho intensivo) 

Quando descobri a existência deste livro, senti que o devia ler, por ter andado na escola com o nome da última rainha de Portugal e, no entanto, não saber nada sobre a mesma (não sei nada sobre o quarto vice-rei da Índia nem sobre o arquitecto da Torre de Belém). O livro começa com uma introdução relativa ao 25 de Abril, e depois uma breve explicação de como o manuscrito original das memórias da Rainha D. Amélia chegou às mãos de Miguel Real. Aqui foi-me suscitada uma dúvida: a capa do livro diz “romance”; o livro está também dividido em capítulos que duvido que tenha sido a própria Amélie a fazer tal divisão. Mas passando isso à frente, é uma boa leitura.
Há vidas lixadas, e esta é uma delas. Amélie d’Órleans nasce exilada em Inglaterra, primogénita de um casal que queria um rapaz em tal papel, filha de um homem que queria regressar ao seu antigo país, ao seu antigo trono e que se teve de…

Houston, we have a problem

Que se chama Feira do Livro.


Sabem o quanto me custa O Primo Basílio ser diferente dos meus outros Eças?

Feira do Livro

Primeira ida:

Opções:  - Pedir donativos para uma estante nova;  - Esperar que a Leya me descubra e me queira oferecer livros numa parceria que nunca irá acontecer;  - Ser colocada numa camisa de forças que me impeça de ir à Feira do Livro.

The Theban Plays

Voltando aos gregos!

Esta colecção reúne as peças sobre Thebes (Tebas?) de Sófocles, a história de Édipo (doravante conhecido como Oedipus) e a sua família, mais notavelmente a sua filha, Antigone. Uma curiosidade sobre este volume é que coloca as peças por ordem cronológica de acontecimentos, que é praticamente oposta à ordem em que as peças foram escritas (Antigone foi a primeira das três - são portanto um ciclo, e não uma trilogia).

As peças tratam da sociedade ateniense e da sua rápida decadência durante a vida de Sophocles. São peças extraordinariamente ricas na sua observação da condição humana.

Sabia pouco sobre esta tragédia quando a comecei a ler. Tinha total noção do conceito do "complexo de Édipo", que julgo não ter de explicar; o interessante é o contraste entre o mesmo e o desenrolar de Oedipus Rex. O Rei Oedipus vê a sua cidade (cujo reinado ganhou após desvendar a pergunta da esfinge) afligida por uma praga. Creon, irmão da sua esposa, Jocasta, descobre que a…