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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2014

The Yellow Wallpaper

Esta é uma edição com sete short stories, mas vou-me focar naquela que dá o título ao livro.

Escrito em 1892, The Yellow Wallpaper é um conto sobre Jane, uma mulher com um qualquer distúrbio mental, possivelmente depressão pós-parto (uma criança é mencionada), casada com um médico. Este, do alto da sua profissão, decide o que é melhor para ela, proíbe-a de trabalhar, de ler, escrever (algo que ela faz pela calada, sendo este conto uma espécie de diário), ter visitas, fazer o que quer que seja minimamente estimulante, e cuida da doença dela fechando-a e isolando-a num quarto no andar de cima de uma mansão rural que alugaram por uns meses, durante o verão.
O marido convence-a de que está num quarto que fora outrora para crianças; porém, as janelas do quarto têm grades (legítimo, certo), o chão está arranhado, o papel de parede amarelo e doentio está rasgado em várias partes, a cama está pregada ao chão/parede, há marcas na cabeceira da cama e há argolas de metal presas na parede. O top…

Ariel

Sempre fui fã da Sylvia.

Mas, ainda assim, não são todos os livros que se podem declarar um novo favorito ao quarto poema (e eu que nunca fui grande fã de poesia: gostei do The Raven, de resto acho a poesia do Poe fraca e prefiro os contos; gostei do Leaves of Grass; adoro a Sylvia Plath. De resto não gosto ou não conheço, e aceito recomendações).

Naked as paper to start

But in twenty-five years she’ll be silver,
In fifty, gold.
A living doll, everywhere you look.
It can sew, it can cook,
It can talk, talk, talk.

It works, there is nothing wrong with it.
You have a hole, it’s a poultice.
You have an eye, it’s an image.
My boy, it’s your last resort.
Will you marry it, marry it, marry it.
--- The Applicant
Li o The Bell Jar, depois os diários, depois o Winter Trees e o The Colossus. Conheço poemas vários, conhecia vários deste volume, mas são sempre imagens perturbadoras, inquietantes e agressivas, distantes de um Mad Girl's Love Song. É difícil não pensar no seu suicídio e no seu estado men…

Crónica de Uma Morte Anunciada

Surpreendentemente, o meu primeiro Gabriel García Márquez.

Quando Angela Vicario é devolvida a casa dos pais horas após o seu casamento por não ser virgem, os seus irmãos, gémeos, decidem matar o homem que ela diz ser a causa da desonra. Esta é a história de um homem que sabemos desde o início que vai ser morto:
No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5:30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.
Da mesma maneira, toda a cidade sabia que ele ia ser morto: à medida que a história avança, torna-se aparente que os irmãos estavam a anunciar a sua intenção a toda a gente na esperança de serem parados; porém, toda uma série de coincidências, desentendimentos e circunstâncias forçam-nos a prosseguir com o seu plano (afinal, já tinham dito a toda a gente que o iam fazer). Toda a cidade sabe e ninguém os impede, ou falham em impedir, e, em consequência, uma cidade inteira sente-se culpada por mais de vinte anos, altura em que o narrador, também ele emocionalmente …

Palomar

O meu primeiro Italo Calvino não foi o Se una notte d'inverno un viaggiattore, mas um livro sobre as reflexões de um homem sobre o mundo que o rodeia.

Homem nervoso, vivendo num mundo frenético e congestionado, o senhor Palomar tende a reduzir as suas relações pessoais com o mundo exterior e para se defender da neurastenia generalizada, procura, tanto quanto possível, manter as suas sensações sob controlo.

O livro divide-se em blocos de três partes, cada uma delas uma experiência do Sr. Palomar a explorar o mundo, de modo a conseguir respostas às várias questões da vida. O Sr. Palomar sente a necessidade de dar sentido a todos os momentos do seu dia-a-dia, de compreender o mundo, de saber que está a viver a sua vida da maneira como esta deve ser vivida, mas é um homem inseguro e desconfiado. Se por um lado o livro é profundamente desinteressante (não tem plot), por outro lado a narrativa é incrível.

Os capítulos nascem de uma observação ou actividade banal. O primeiro capítulo é s…

A Long Way Down

Descobri por acaso que vão fazer um filme a partir deste livro com o Pierce Brosnan e pessoas de quem nunca ouvi falar.


Também estou a tentar despachar leituras mais fáceis, pelo que Nick Hornby era uma escolha óbvia. Can I explain why I wanted to jump off the top of a tower block? é uma óptima primeira frase; infelizmente, o restante não corresponde totalmente a tais expectativas.

O livro começa com uma coincidência, quatro pessoas que se decidem suicidar atirando-se do topo do mesmo edifício, na mesma noite (na noite de Ano Novo): Martin, antigo apresentador de televisão que foi preso por se meter com uma miúda de 15 anos, Maureen, mãe solteira de um filho deficiente, Jess, miúda idiota de 18 anos que se acha rebelde, e JJ, que queria ser rockstar e falhou. A narrativa é feita dos pontos de vista de cada um destes quatro indivíduos.

A partir do momento em que reparam na presença uns dos outros, o facto de haver audiência é suficiente para os dissuadir, ainda que momentaneamente, de…