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A mostrar mensagens de 2014

A Farewell to Arms

Mais Hemingway:

E, surpreendentemente, um Hemingway do qual gostei mais que do Fiesta.

A Farewell to Arms é um olhar cínico, semi auto-biográfico, para a Primeira Guerra Mundial, um evento que marcou e definiu não só a geração de Hemingway, como a história da Europa e do Mundo. Estive a pensar em quantos livros que abordem esta guerra já li - este é o primeiro. Parece-me uma guerra pouco popular em termos de literatura, especialmente quando comparada com a Segunda Guerra Mundial, prolífica tanto em termos de memórias como de ficção, mesmo em tempos recentes.

Adiante, o livro relata a história do Lt. Frederic Henry, um jovem americano que se voluntariou enquanto condutor de ambulâncias no exército italiano numa altura em que os Estados Unidos não tinham ainda entrado na guerra. Frederic Henry passa por coisas como quase perder as pernas, escapar a uma execução e desertar o exército e ir para a Suíça de barco a remos com uma apatia invejável - algo que muitos dos personagens principais …

O Perfume

Da série "coisas que toda a gente leu quando/porque saiu um filme há uns anos, excepto eu, porque me lembro de excertos que li quando era pequena e a minha irmã o leu para a escola". Também da série "não consegui encontrar o livro durante meses e pensei que a minha irmã o tinha levado com ela quando mudou de casa". *


O meu maior defeito é possivelmente assumir que toda a gente viu o filme de tudo. Eu este nunca vi, como aliás de costume, mas lembro-me de ter saído. Mas neste caso o título do livro é tão explícito que acho que não me tenho de preocupar muito com spoilers.

No século XVIII viveu em França um homem que se inseriu entre os personagens mais geniais e mais abomináveis desta época que, porém, não escasseou em personagens geniais e abomináveis.

Jean-Baptiste Grenouille é um órfão nascido em Paris em 1738, numa banca de peixe, o quinto filho de uma mulher que deixara todos os seus filhos morrer à nascença - sendo quase imediatamente presa por abandonar a cri…

The Hunger Games

Este é um post sobre a trilogia, porque tendo em conta que cada livro me demorou praí dois dias a ler, e porque é uma trilogia e os li todos seguidos, me fez mais sentido (e me dá menos trabalho, confesso) que escrever sobre cada livro individualmente.

Primeiro que tudo, as capas destas edições são bastante bonitas. Mesmo. Segundo, eu gosto de ler as contracapas dos livros. Estes dizem todos:
"The Hunger Games is amazing" STEPHENIE MEYER
O que seria para mim um argumento mais que lógico e suficiente para não os ler, mas vi os filmes aí há coisa de semanas e achei piada, e encontrei os três juntos tão baratinhos na Amazon (devia boicotar a Amazon - não sei se comprar aos vendedores que vendem por lá os ajuda de alguma maneira), que achei que devia comprar.

Não me arrependo.

E aviso-vos desde já que estou com preguiça e acho que a maioria das pessoas viu os filmes ou leu os livros.

The Hunger Games

Esta é uma história que se passa num futuro distópico, em que os EUA foram subst…

A Tree Grows in Brooklyn

Esta foi a leitura escolhida pela pessoa mais importante da minha vida, com o argumento (entre outros, claro está) que Brooklyn é no ghetto. Se isso não vos parece uma razão legítima, há algo decididamente errado nas vossas vidas.

Este livro é sobre Francie Nolan e a sua família, no Brooklyn do início do século XX. Francie é uma rapariga inteligente e solitária que tenta encontrar beleza nos pequenos momentos da sua vida de pobre (confirmando portanto a parte ghetto do livro); o seu pai, Johnny, é óptima pessoa mas está demasiado preso no seu alcoolismo para conseguir sustentar a família; a mãe, Katie, é descrita como sendo lindíssima, adora a sua família, mas é forçada a sustentá-los e é frequentemente dura (Francie’s mother is small and pretty but steely and tough but her father is warm and charming and, above all, a prisoner of his need for drink.); Neeley, o irmão, é o favorito da mãe; uma das tias, Sissy, é das melhores pessoas do livro, mas gosta demasiado de homens.
O título d…

For Whom the Bells Toll

Estou oficialmente banida de comprar livros até serem publicados aqueles do Salinger que foram anunciados praí há um ano. Assim, estou num plano de leitura que envolve dar prioridade aos livros que tenho por ler há mais tempo. For Whom the Bells Toll é o primeiro desses livros.


A coisa parva é que gostei muito de tudo o que li do Hemingway até agora e não tenho qualquer motivo para ter adiado tanto esta leitura.


Vou começar esta review logo com um enorme desrespeito, que é o facto de me ter rido logo na terceira ou quarta página ao ter lido:

“Yes,” the young man said. “But we will eat later. How are you called? I have forgotten.” It was a bad sign to him that he had forgotten. 
“Anselmo,” the old man said. “I am called Anselmo and I come from Barco de Avila. Let me help you with that pack.”

E se o motivo pelo qual me ri não vos for óbvio: qualquer desculpa é uma boa desculpa para mencionar Anselmo Ralph, cantor de sucesso graças a Deus, ou não?

Este livro é tudo. É incrivelmente aborre…

O Crime do Padre Amaro

Confesso: nunca vi o filme com a Soraia Chaves.

Este é um livro sobre hipocrisia, sobre a corrupção do poder, sobre um padre católico que seduz uma jovem da sua paróquia, Amélia (aquela que no filme era a Soraia Chaves).

Amaro Vieira cresce como filho de criados de gente de bem, gente de bem essa que lhe deixa no testamento a obrigação de ir para padre, algo para que nunca teve real vocação. Graças à influência política do marido de uma das filhas da mulher que o empurrou para tal caminho, consegue lugar em Leiria e, com a ajuda do cónego Dias, que havia sido seu mestre no seminário, arranja rapidamente alojamento na casa de uma senhora a quem chamam S. Joaneira, que vive só com a sua filha Amélia, jovem e bonita, que rapidamente chama a atenção do padre.

Isto podia ficar por aqui, mas Amélia retribui o interesse - e pior, o Padre Amaro descobre o cónego Dias enrolado com a mãe dela, o que, a seu ver, legitima todas as acções que possa vir a ter no respeitante ao seu romance com Amél…

Hunger

O facto de a Escandinávia me fascinar há muito fez com que eu tivesse este livro na wishlist há anos; o facto de querer partilhar eventualmente com a pessoa-mais-especial-já-referida-neste-blog a experiência da leitura de Knut Hamsun fez com que a compra acontecesse.

Hunger é a história de um jovem escritor que, na sua pobreza, passa fome e luta para ter um telhado sob o qual dormir. Sorri nas primeiras páginas ao lembrar-me imediatamente do Raskolnikov do Dostoevsky - no entanto, o narrador de Hunger enfrenta a sua situação de maneira diferente. Felizmente, convenhamos, já que a história é semi-auto-biográfica.

A história passa-se em Kristiania (agora Oslo), que é uma cidade que eu quero definitivamente conhecer. Quero dizer:


O narrador passa fome e sente as consequências no corpo e na mente - não tem casa, não tem emprego, não tem comida e não tem dinheiro, e ainda assim, tal como o Raskolnikov, sente-se imensamente superior aos locais com quem se cruza. Ele tem talento, é certo - m…

Lady Chatterley's Lover

Há livros que me levantam questões várias. No caso do Lady Chatterley's Lover, é o porquê do estatuto de clássico: será a história do livro assim tão intemporal ou será mais o julgamento por obscenidade?

A história é simples: o livro é relatado da perspectiva (ainda que na terceira pessoa) de Connie/Constance. Esta, criada de forma liberal (sobre ela e a irmã: They lived freely among the students, they argued with the men over philosophical, sociological and artistic matters, they were just as good as the men themselves: only better, since they were women), casa-se, muito jovem, com Clifford, Lord Chatterley, que, meses após o casamento, fica paralisado da cintura para baixo após uma lesão na guerra. Daqui surge o problema central ao livro, que eventualmente lhe dá um título: conseguirá Lady Chatterley ser feliz no seu casamento sem a intimidade física esperada do mesmo? Ser-lhe-á permitido procurá-la fora do casamento?
Antes de mais: o casamento deles parece desprovido de qualqu…

Night

Continuando nos non-fiction.

Após ler o Man's Search for Meaning, que é um livro que tenho na minha mesa de cabeceira e que me faz pensar muito, fiquei com vontade de ler mais memórias do Holocausto, embora saiba que, obviamente, não são todas "iguais", e que o Frankl me inspirou por motivos muito diversos.

No entanto, dei por mim a relacionar ambos os livros logo na introdução:

There are those who tell me that I survived in order to write this text. I am not convinced. I don't know how I survived; I was weak, rather shy; I did nothing to save myself. A miracle? Certainly not. If heaven could or would perform a miracle for me, why not for others more deserving than myself? It was nothing more than chance. However, having survived, I needed to give some meaning to my survival. Was it to protect that meaning that I set to paper an experience in which nothing made any sense?

A procura de significado, a ideia de sobreviver sob o propósito de escrever sobre a experiência.…

Running with Scissors

Há um livro do Douglas Coupland que nunca li, mas que gostaria de ler um dia, que se chama All Families Are Psychotic. Esta certamente era-o.

Estive a ler um bocado sobre o livro após o ler, e esta é daquelas memoirs em que se mudaram nomes e houve problemas legais e tudo isso. Não costumo ler muitas obras não-ficcionais, mas parece que é relativamente comum alguém reclamar pela forma como é exposto neste tipo de livro.
Neste caso, isso não é exactamente surpreendente: o livro tem partes profundamente perturbadoras e mesmo dolorosas de ler. Augusten (que na vida real se chamava Christopher, mas adiante) cresce com pais que se odeiam - uma mãe que quer ser conhecida pelos seus poemas e tem um claro distúrbio, e um pai professor alcoólico, que se envolvem frequentemente em disputas verbais que atingem o físico. Havia um irmão mais velho que já não vivia com eles, sobre o qual Augusten diz, mais tarde, I envied his lack of emotional ties. I felt pulled by everyone at every direction, wh…

The Passion of New Eve

Li o The Bloody Chamber há dois anos e achei um livro incrível. Quando vi todo um conjunto de livros da Angela Carter à venda por um preço baixo no eBay, tive de aproveitar.

Em 2007 li o Orlando, da Virginia Woolf, que é um livro que achei um bocado aborrecido, mas que se calhar não tinha a maturidade para compreender; aqui, como no Orlando, um homem transforma-se numa mulher. Este é muito provavelmente o livro mais bizarro que eu já li, e eu leio muita coisa estranha. Às vezes, vá.

Evelyn (um homem, como o Waugh), britânico, é-nos apresentado desde o início como misógino, esquecendo-se dos nomes das mulheres com quem se envolve, tendo uma certa obsessão desde criança com uma actriz de filmes mudos, Tristessa St Ange, a mulher perfeita, a representação de tudo o que é feminino, uma personagem que objectifica, que perde encanto quando mostra um lado mais humano.

Acontece mesmo, mesmo muita coisa neste livro. Evelyn vai para NY para ser professor universitário, num mundo em que os EUA …

The Fault in Our Stars

Este é o 11º livro mais popular dos 1571 que tenho adicionados no Goodreads (que não são bem 1571, que assim do topo da minha cabeça tenho pelo menos uns quatro duplicados por estar a ler em francês livros que já tinha lido noutra língua, mas adiante), acima de livros incríveis como o Of Mice and Men. Acima do The Master and Margarita em termos de ratings. Este é o livro que deu origem a um filme que saiu este verão e que eu nunca vi.

Este é o livro mais overhyped que li nos últimos tempos. Incrivelmente aborrecido. Previsível, do género Nicholas Sparks para young adult, tipo A Walk to Remember (é esse o do cancro, certo?) sem o plot twist.
E antes que me tentem chamar insensível, tenho uma experiência próxima (embora, felizmente, não na primeira pessoa) com cancro. Pessoas não têm de se tornar idiotas pretensiosas sem personalidade só porque têm uma doença terminal. Acho inclusive mais insensível tentar tornar metade do livro hilariante.

E acima de tudo odeio o Augustus e a cena dos…

Will Grayson, Will Grayson

O penúltimo livro do John Green que tinha para ler foi escrito em colaboração com um outro autor, que desconheço, de seu nome David Levithan.

Will Grayson, Will Grayson é um livro sobre dois putos, ambos chamados "Will Grayson", e como as suas vidas se cruzam e (discutivelmente) mudam após esse evento: a vida do Will Grayson do John Green mudou, mas não pela intervenção do seu homónimo; já o Will Grayson do David Levithan apaixona-se pelo melhor amigo do primeiro Will Grayson, Tiny Cooper, e recorre ao auxílio deste.

Tiny Cooper é descrito como:

Tiny Cooper is not the world's gayest person, and he is not the world's largest person, but I believe he may be the world's largest person who is really, really gay, and also the world's gayest person who is really, really large.
No fundo, o livro, assim como tudo neste livro, é mesmo sobre o Tiny. Toda a gente adora o Tiny, um tipo egoísta ao ponto de decidir fazer um musical sobre si próprio. Na escola secundária. Ti…

Paper Towns

Voltei aos livros do John Green após a desmotivação dos dois primeiros, e tenho como nova missão acabá-los todos antes de poder partir para literatura que me aprouver mais.

O John Green tem uma particularidade da qual eu já me havia apercebido, que é escrever basicamente o mesmo livro várias vezes: puto geek com amigos idiotas idolatra rapariga linda, única e problemática, a qual não conhece (pelo que basicamente gosta dela pelo simples facto de ela ser bem parecida - que é sempre) e com a qual nunca falou, mas com a qual consegue sempre, sempre alguma coisa. As personagens principais deste livro, Quentin e Margo, são exactamente as mesmas dos seus dois livros anteriores.
O John Green não se esforçou por esconder ou iniciar o plot de maneira a tentar parecer estar a escrever uma história diferente, quer dizer, o primeiro parágrafo é:
The way I figure it, everyone gets a miracle. Like, I will probably never be struck by lightning, or win a Nobel Prize, or become the dictator of a small…